O cachorro come grama e você não sabe se deve se preocupar? Essa cena desperta dúvida até nos tutores mais experientes. Muitos interpretam o hábito como sinal de doença, outros acham que o cão faz isso para provocar o vômito. Mas por trás desse gesto aparentemente simples existe um universo de significados que envolvem biologia, instinto e emoção.
Quem observa um cão mastigando folhas percebe que não se trata apenas de algo mecânico. Há intenção, escolha e ritmo. O cachorro come grama por curiosidade, para aliviar desconfortos, por ansiedade ou até para chamar a atenção do tutor. Esse comportamento não é recente — ele acompanha os cães desde suas origens selvagens. Compreender o que o motiva é o primeiro passo para interpretar melhor o que seu pet sente e precisa.
A maioria dos cães demonstra curiosidade natural pela vegetação, especialmente quando passeia. O cheiro da terra e a textura das folhas despertam instintos de exploração. Ainda assim, o tutor atento precisa aprender a distinguir o que é normal do que pode indicar um desequilíbrio. Entender as causas, o contexto e o que o comportamento comunica é o que transforma a convivência em vínculo consciente.

O Que o Hábito Revela Sobre o Estado Emocional do Cão
Nem sempre o cachorro come grama por razões físicas. Muitas vezes o ato está ligado ao emocional. Quando o cão se sente frustrado, solitário ou ansioso, ele busca alívio em comportamentos previsíveis, como lamber as patas, cavar buracos ou mastigar folhas.
Esses gestos ativam pequenas descargas de serotonina e dopamina, neurotransmissores que trazem sensação de conforto e controle. É uma forma natural de o animal encontrar equilíbrio interno quando algo em seu ambiente está em desequilíbrio.
Principais gatilhos emocionais que podem levar ao comportamento:
- Frustração: falta de estímulos ou tempo ocioso.
- Solidão: longos períodos sem companhia do tutor.
- Ansiedade: mudanças repentinas na rotina ou excesso de ruídos.
A neurociência canina mostra que o cérebro do cão reage ao estresse de modo semelhante ao humano: ele procura padrões que acalmem. Se o ambiente é caótico ou o tutor ausente, o cachorro come grama como tentativa de se autorregular. Não é birra — é um pedido silencioso de estabilidade.
— Quando o ambiente perde o ritmo, o cão cria o próprio compasso para se sentir em paz.
Cães emocionalmente estáveis, com rotina previsível e afeto constante, tendem a mastigar folhas apenas por curiosidade. Já aqueles que vivem em ambientes imprevisíveis podem transformar o ato em compulsão. Ao compreender que o gesto é uma mensagem emocional, o tutor passa a oferecer o que o cão mais precisa: segurança e previsibilidade.
O Instinto Ancestral Por Trás do Comportamento
O hábito de mastigar folhas não é novo. Desde os tempos em que viviam em matilhas selvagens, os ancestrais dos cães já ingeriam vegetais encontrados no estômago de presas herbívoras. Mesmo após séculos de domesticação, esse impulso continua presente. É por isso que, às vezes, o cachorro come grama mesmo recebendo ração de alta qualidade e cuidados constantes.
Pesquisas publicadas no Journal of Veterinary Behavior e pelo American Kennel Club mostram que a maioria dos cães que comem grama está perfeitamente saudável. O ato faz parte do instinto natural de explorar, farejar e provar o ambiente — algo essencial para o equilíbrio mental e sensorial.
A grama tem papel funcional nesse processo. Ela contém fibras vegetais que auxiliam o trânsito intestinal e ajudam o cão a eliminar resíduos que o organismo não digeriu bem. Além disso, o simples ato de mastigar folhas estimula o reflexo gástrico, que pode aliviar desconfortos leves e regular o sistema digestivo.
Há, ainda, um aspecto comportamental pouco discutido: o prazer da descoberta. Quando o cachorro come grama, ele ativa áreas do cérebro relacionadas à curiosidade e à recompensa — as mesmas que se acendem durante o brincar ou o olfatear. Essa experiência sensorial é profundamente gratificante para o animal.
— Mastigar grama é, em parte, uma lembrança da liberdade ancestral: o cão moderno ainda carrega no corpo a memória da vida selvagem.
Compreender esse instinto é essencial para não interpretar o comportamento como algo negativo. O tutor que observa o contexto entende que o cachorro come grama porque a natureza fala mais alto. Ele não está doente nem desobediente — apenas expressa um traço antigo de sua herança evolutiva.
Comer Grama É Comunicação: O Que Seu Cão Está Tentando Dizer
O cachorro come grama também como forma de se comunicar. Cães não falam, mas expressam suas emoções por meio do corpo. Quando algo muda no padrão, é um aviso. Mastigar folhas pode ser a maneira de dizer “não estou me sentindo bem” ou “preciso de algo diferente”.
Entre os sinais mais comuns de que o comportamento é comunicativo estão:
- insistência em comer grama logo após as refeições;
- mudança no olhar ou postura corporal durante o ato;
- tentativa de atrair a atenção do tutor antes de mastigar;
- repetição do gesto sempre no mesmo local ou horário.
Esses detalhes contam histórias. Se o cachorro come grama de maneira tranquila e depois segue o dia normalmente, provavelmente é um hábito inofensivo. Mas se o faz com ansiedade, lambendo o solo, procurando folhas específicas ou apresentando náusea, o tutor deve observar com mais cuidado. A comunicação canina é silenciosa, mas clara para quem aprende a ouvir.
— Observar o comportamento do cão é como aprender um novo idioma: quanto mais atenção se dá aos gestos, mais clara se torna a mensagem.

Diferenças Entre Raças e Personalidades Caninas
O cachorro come grama não apenas por instinto, mas também como forma de comunicação. Como não fala, o cão utiliza o corpo para expressar o que sente — e cada gesto tem significado. Quando o tutor observa o comportamento com atenção, percebe que a grama pode ser a “voz” do animal.
Em muitos casos, o cão usa esse ato para transmitir desconforto físico. Se há algo diferente no estômago, uma digestão lenta ou leve enjoo, ele busca a grama como alívio natural. Mas, em outros momentos, o gesto revela mensagens emocionais, como tédio, necessidade de atenção ou busca de controle em meio ao caos do ambiente.
Alguns sinais ajudam a interpretar o contexto do comportamento:
- Mastigar folhas logo após as refeições pode indicar desconforto digestivo.
- Procurar grama em momentos de solidão sugere ansiedade ou carência afetiva.
- Comer folhas em locais específicos mostra que o cão associa o ato a segurança.
- Fazer isso sempre que o tutor está ausente indica tentativa de aliviar tensão.
— Cada folha mastigada pode ser um recado silencioso. O cão não está “aprontando” — está tentando ser compreendido.
Quando o tutor reage com calma, observando e registrando o padrão, o comportamento perde a função de alerta e volta a ser exploratório. O cachorro come grama para se autorregular, e o papel do tutor é oferecer segurança emocional para que essa autorregulação aconteça de forma saudável.
Compreender o gesto como linguagem transforma a convivência. O tutor que aprende a decifrar sinais físicos e emocionais descobre que o cão fala o tempo todo — apenas com outro idioma.

Fatores Nutricionais e Fisiológicos Que Influenciam o Comportamento
Em certos casos, o cachorro come grama porque o corpo pede. A carência de fibras, o refluxo leve ou o desconforto digestivo estão entre as principais causas fisiológicas. Quando o sistema digestivo não funciona bem, o cão busca soluções naturais — e a grama, rica em fibras e umidade, oferece alívio imediato.
Um estudo da VCA Animal Hospitals apontou que 10% dos cães que comem grama regularmente apresentavam pequenas inflamações gástricas. Após o tratamento e ajuste da dieta, o comportamento diminuiu significativamente. Isso mostra que o corpo e o comportamento caminham juntos: o sintoma fala por dentro, e o gesto responde por fora.
| Situação | Ação sugerida |
|---|---|
| Come grama e vomita ocasionalmente | Observar e manter hidratação adequada |
| Come grama e apresenta fezes moles | Reforçar fibras e reduzir petiscos gordurosos |
| Come grama com frequência diária | Consultar veterinário para exames digestivos |
| Come grama e demonstra apatia | Verificar possíveis intoxicações ou gastrite |
Ainda que o hábito seja instintivo, o excesso nunca deve ser ignorado. O tutor precisa registrar a frequência, o horário e as condições em que o cachorro come grama. Essa informação auxilia o veterinário a identificar padrões e causas subjacentes.
Como o Ambiente e a Rotina Moldam o Comportamento
O ambiente é o palco onde o comportamento se manifesta. Um cachorro come grama com mais frequência quando vive em espaços pobres em estímulos, sem desafios e sem interação suficiente com o tutor. A rotina previsível é uma das maiores aliadas do equilíbrio emocional canino.
Cães que passam longas horas sozinhos ou confinados em ambientes pequenos tendem a buscar saídas para o tédio. Mastigar grama é uma delas. Por outro lado, cães que têm acesso a atividades variadas — caminhadas, brinquedos, estímulos olfativos e contato afetivo — dificilmente transformam o hábito em algo compulsivo.
Entre as ações que mais ajudam estão:
- oferecer passeios em horários fixos e rotas diferentes;
- usar brinquedos de enriquecimento alimentar, como os recheáveis;
- permitir momentos de exploração livre em locais seguros;
- praticar comandos simples para fortalecer o vínculo;
- reservar tempo para o descanso e o silêncio.
Essas práticas ajudam o cão a liberar energia de forma saudável. O cachorro come grama por instinto, mas quando o ambiente atende suas necessidades sensoriais e emocionais, o comportamento se torna apenas mais uma expressão natural de curiosidade — e não um pedido de socorro.
— O equilíbrio do cão começa no equilíbrio do lar. A rotina do tutor é o espelho do comportamento do animal.

O Papel do Tutor na Regulação Emocional do Cão
Nenhum comportamento canino se desenvolve isoladamente. A estabilidade emocional do tutor influencia diretamente o equilíbrio do animal. Quando o cachorro come grama, é importante observar não apenas o que ele faz, mas o contexto em que o faz. A voz, o tom, a rotina e o clima da casa moldam a resposta emocional do cão.
O tutor é o eixo da segurança. Se ele transmite calma e consistência, o cão aprende que o mundo é previsível e não precisa recorrer a comportamentos compensatórios. A simples presença, o toque e a interação diária são formas de comunicação afetiva que regulam o comportamento. Quando há coerência entre afeto e rotina, o cachorro come grama apenas como curiosidade, não como descarga emocional.
— O cão sente o que o tutor transmite. Serenidade gera serenidade.
Tipos de Grama: As Seguras e as Perigosas
Nem toda grama é igual. Algumas são seguras e até benéficas, enquanto outras podem causar irritações se tratadas com produtos químicos. Quando o cachorro come grama, o ideal é saber exatamente qual tipo ele está ingerindo.
| Tipo de grama | Observações |
|---|---|
| Grama-batatais (Paspalum notatum) | Segura e comum em jardins. Pode ser ingerida ocasionalmente sem causar mal-estar. |
| Grama-esmeralda (Zoysia japonica) | Textura macia e digestível. Ideal para quintais, desde que sem agrotóxicos. |
| Grama-bermuda (Cynodon dactylon) | Popular em praças e campos. Não é tóxica, mas deve estar livre de pesticidas. |
| Grama-são-carlos (Axonopus compressus) | Segura e resistente. Pode ser ingerida, mas sempre cultivada de forma natural. |
| Grama-coreana (Zoysia tenuifolia) | Não é tóxica, porém pode irritar o estômago se ingerida em excesso. |
| Capim-limão (Cymbopogon citratus) | Pertence à família das gramíneas e auxilia na digestão em pequenas quantidades. |
| Grama tratada com fertilizantes ou pesticidas | Perigosa e potencialmente tóxica, mesmo que a espécie seja segura. |
| Grama sintética ou artificial | Nunca deve ser ingerida. Pode causar obstruções ou intoxicação por materiais plásticos. |
— Mesmo gramas consideradas seguras tornam-se perigosas quando expostas a produtos químicos. A segurança depende mais do cultivo do que da espécie.
O tutor que identifica o tipo de grama e mantém o ambiente natural garante que o cachorro come grama com segurança e sem riscos de intoxicação.

O Que Dizem os Estudos Científicos Recentes
Pesquisas recentes reforçam que o comportamento é, em grande parte, natural. Um levantamento do American Kennel Club com mais de 1.000 tutores mostrou que 68% dos cães comem grama ocasionalmente e apenas 10% apresentam sintomas digestivos associados. A VCA Animal Hospitals observou que, entre os cães que ingerem grama regularmente, menos de 15% apresentaram alterações clínicas relevantes.
Um estudo da University of California – Davis indicou que o cachorro come grama principalmente em momentos de relaxamento, o que reforça a hipótese de que o hábito tem função exploratória e sensorial. Em resumo, a ciência mostra que o gesto é, na maioria das vezes, parte do repertório natural do animal e não um sinal de doença.
Essas evidências sustentam uma visão equilibrada: observar, compreender e contextualizar é mais eficaz do que proibir. O tutor informado consegue diferenciar quando o comportamento é saudável e quando é um pedido de ajuda.
Checklist Prático para o Tutor
| Ação | Benefício |
|---|---|
| Oferecer fibras naturais seguras (abóbora, cenoura cozida) | Melhora a digestão e reduz o desconforto intestinal |
| Manter rotina de passeios e horários fixos | Diminui ansiedade e comportamentos repetitivos |
| Evitar gramados tratados com produtos químicos | Previne intoxicações acidentais |
| Disponibilizar brinquedos interativos e desafios olfativos | Estimula o cérebro e reduz o tédio |
| Garantir hidratação adequada e ração de qualidade | Equilibra o trato digestivo e o metabolismo |
| Observar o comportamento e registrar mudanças | Facilita o diagnóstico precoce em caso de distúrbios |
| Reforçar vínculo afetivo com o cão diariamente | Promove estabilidade emocional e confiança |
Cada pequeno cuidado contribui para o equilíbrio físico e emocional. O cachorro come grama em quantidade menor quando suas necessidades de nutrição, companhia e estímulo são atendidas. O tutor atento percebe nuances e age com empatia, transformando observação em prevenção.
FAQ — Perguntas Frequentes
1. Por que o cachorro come grama e vomita depois?
A grama estimula o reflexo do vômito e ajuda o cão a aliviar desconfortos gástricos leves. Quando o cachorro come grama e vomita raramente, é normal; se acontece com frequência, é sinal de que algo precisa ser investigado.
2. É normal o cachorro comer grama?
Sim. É um comportamento instintivo e comum em cães saudáveis. O ato de mastigar folhas faz parte da natureza exploratória e, em geral, não representa risco à saúde.
3. Faz mal deixar o cachorro comer grama?
Depende do tipo de grama e do ambiente. Gramas naturais e limpas são seguras, mas as tratadas com agrotóxicos ou fertilizantes podem causar intoxicação e devem ser evitadas.
4. O cachorro come grama porque está com vermes?
Pode acontecer. Verminoses provocam irritação intestinal e o cão tenta aliviar o incômodo mastigando folhas. A vermifugação regular ajuda a prevenir esse tipo de comportamento.
5. O cachorro come grama quando está ansioso?
Sim. Muitos cães mastigam grama para liberar tensão ou lidar com o tédio. É um comportamento de autorregulação emocional, que melhora quando há rotina e estímulos adequados.
6. Cachorro come grama por falta de nutrientes?
Pode ser sinal de carência de fibras ou vitaminas. Se o hábito for frequente, vale revisar a dieta com o veterinário para garantir equilíbrio nutricional e bem-estar digestivo.
7. Filhote pode comer grama?
Pode, desde que a área seja segura e livre de produtos químicos. Filhotes exploram o mundo com a boca, e o cachorro come grama por curiosidade durante essa fase de aprendizado.
8. Como evitar que o cachorro coma grama na rua?
Ensine o comando “deixa” e mantenha o cão em guia curta durante os passeios. O reforço positivo ajuda o animal a se concentrar no tutor e ignorar folhas potencialmente perigosas.
9. Qual tipo de grama é seguro para cachorro?
Gramas naturais sem agrotóxicos, como batatais, esmeralda e bermuda, são seguras. O cachorro come grama sem riscos quando o ambiente é limpo e livre de produtos químicos.
Quando o Hábito Fala Mais Alto: O Que o Cachorro Está Tentando Dizer
O cachorro come grama por instinto, por curiosidade, por necessidade física ou emocional. Em todos os casos, existe um pedido silencioso: atenção e compreensão. Cada folha mastigada pode revelar algo sobre o corpo e o coração do cão. Observar é uma forma de cuidado; interpretar é uma forma de amor.
O tutor que aprende a ler os sinais transforma a convivência em parceria. O gesto simples de comer grama deixa de ser mistério e passa a ser uma janela para o universo emocional do animal. A verdadeira saúde começa na escuta — e o bem-estar nasce do vínculo.
— O vínculo entre você e seu cão é construído nos pequenos gestos. Até mesmo quando ele mastiga uma folha, há um diálogo acontecendo.
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Sou apaixonado por cães desde a infância, quando convivi intensamente com meu primeiro companheiro, o vira-lata caramelo Baixinho. Essa experiência despertou em mim um olhar sensível e atento para o comportamento canino, o vínculo emocional entre cães e tutores e a importância do cuidado consciente no dia a dia. Ao longo dos anos, construí meu conhecimento por meio de estudos na área, cursos técnicos e formação complementar voltada ao comportamento, bem-estar e convivência com cães, sempre priorizando informação responsável e embasada. No Patinhas & Cuidados, transformo vivência prática e aprendizado contínuo em conteúdos claros, empáticos e acessíveis, com o propósito de ajudar tutores a observar melhor seus cães, compreender seus sinais e fortalecer uma relação baseada em respeito, afeto e presença.







