Ver um cachorro vomitando sangue é uma experiência que paralisa qualquer tutor. O instinto de proteção se mistura com o medo do desconhecido, criando uma sensação de urgência que pode nublar o julgamento. No entanto, é exatamente nesse momento que a sua capacidade de observar detalhes e agir com serenidade se torna a ferramenta mais valiosa para o bem-estar do seu companheiro.
Este guia foi criado para transformar a sua preocupação em ação eficaz. Você não vai aprender a diagnosticar — essa é a função do médico-veterinário — mas vai dominar a arte da observação qualificada que faz toda a diferença no atendimento veterinário de emergência, especialmente quando o sangramento no vômito indica um problema sério no trato digestivo do animal.
• A cor e a textura do sangue no vômito mudam o que ele pode indicar.
• A frequência e o volume ajudam a reconhecer quando vira emergência veterinária.
• Alguns sinais no corpo (como gengivas pálidas e fraqueza) acendem alerta imediato.
• O contexto (lixo, plantas, objetos, venenos) pode orientar o atendimento veterinário.
— Ao longo deste guia, eu explico como interpretar esses sinais com segurança, o que observar sem agravar a situação e como agir de forma consciente para proteger a saúde e o bem-estar do seu cão.

Lembre-se que estes sintomas podem estar associados a outros sinais. No nosso Guia Completo de Sintomas Digestivos, explicamos a conexão entre eles.”
Aviso importante: Este conteúdo tem caráter educativo e informativo e não substitui a avaliação de um médico-veterinário. Diante de qualquer sintoma persistente, agravamento do quadro ou dúvida sobre a saúde do seu cachorro, procure sempre um profissional qualificado.
O Papel Fundamental do Tutor: Entre a Calma e a Ação
Por Que Manter a Calma É Cuidado, Não Frieza
Os cães possuem uma conexão emocional profunda com seus tutores, sendo capazes de detectar mudanças sutis no tom de voz, na respiração e na postura corporal. Quando você entra em pânico ao se deparar com o vômito com sangue, o animal interpreta que há um perigo iminente, o que pode elevar seus níveis de cortisol (hormônio do estresse) e agravar condições como taquicardia ou choque. Respirar fundo e falar com voz suave não é apenas para o seu conforto — é uma forma de comunicar segurança ao cão, ajudando-o a permanecer mais estável durante a crise e preservando o bem-estar dele enquanto você organiza o socorro.
A Diferença Entre Observar e Diagnosticar
Muitos tutores se sentem pressionados a “adivinhar” o que está acontecendo, mas essa não é a sua função primordial na saúde canina. Enquanto o atendimento veterinário possui o conhecimento técnico sobre fisiologia, patologias e farmacologia, você possui algo igualmente valioso: o histórico de convivência. Você sabe se o cão teve acesso ao lixo, se mastigou um brinquedo novo, ou se está agindo de forma diferente desde ontem. Sua missão é coletar esses sinais de alerta e informações sobre o sangue no vômito com precisão, não para concluir o que é, mas para fornecer dados que levem ao diagnóstico correto.
Ações Imediatas: Um Plano Passo a Passo
Diante da cena assustadora de um cão vomitando, siga esta sequência para garantir que tanto você quanto o animal estejam seguros e prontos para uma possível emergência:
- Isolamento seguro: Leve o cão para um local limpo, bem iluminado e livre de obstáculos. Se houver outros animais, mantenha-os separados para evitar estresse adicional.
- Observação sem intervenção: Examine o sangramento digestivo visualmente, sem tocar diretamente. Observe cor, consistência e volume do material expelido.
- Registro preciso: Anote o horário exato, quantas vezes ocorreu o vômito com sangue e qualquer detalhe que chamar atenção.
- Varredura ambiental: Dê uma olhada rápida no ambiente — há plantas mastigadas? Brinquedos destruídos? Produtos de intoxicação canina acessíveis?
- Preparação para deslocamento: Tenha à mão a caixa de transporte, documentos e o contato do veterinário de confiança.

O Que Observar no Cachorro Vomitando Sangue : Decifrando os Sinais Visuais
A Importância da Cor: Sangue Vivo vs. Sangue Digerido
A tonalidade do sangue no vômito oferece pistas cruciais sobre a localização e a gravidade do sangramento digestivo. O sangue vermelho vivo, brilhante, indica que a hemorragia é recente e provavelmente ocorre na parte superior do trato digestivo — boca, esôfago ou porção inicial do estômago. Pode ser causado por uma úlcera gástrica que acabou de romper ou por um objeto cortante que arranhou a mucosa.

Já o sangue escuro, com aparência de “borra de café”, revela que o sangue permaneceu no estômago tempo suficiente para ser parcialmente digerido pelos sucos gástricos. Isso sugere um sangramento mais lento e persistente, ou uma origem mais profunda no sistema digestivo. Em casos de intoxicação canina por veneno de rato (rodenticidas), que afeta a coagulação, esse tipo de sangue digerido é comum e exige atendimento veterinário imediato. O termo técnico para esse quadro é hematêmese canina, que descreve especificamente a presença de sangue no vômito do animal.
Volume, Frequência e Contexto
Além da cor, avalie essas características do sangramento no vômito:
Quantidade: Uma mancha pequena versus um volume significativo de sangue
Frequência: O vômito com sangue ocorreu uma vez ou está se repetindo a cada 20 minutos?
Conteúdo associado: Há restos de alimento, muco espumoso ou pedaços de objetos no sangue no vômito?
Essas informações ajudam o veterinário a diferenciar entre uma simples irritação passageira e uma hemorragia ativa que requer atendimento veterinário de emergência imediata, especialmente em casos de intoxicação canina ou sangramento digestivo severo.
A Presença de Objetos e o Odor Característico
Examine cuidadosamente se há:
- Fragmentos de brinquedos (plástico, borracha)
- Pedaços de ossos (especialmente os cozidos, que lascam)
- Restos de plantas (folhas, flores)
- Fios ou tecidos
O odor também é informativo. Um cheiro metálico intenso é típico de sangue, enquanto um odor extremamente fétido pode indicar necrose tecidual ou presença de bactérias.
Comportamento do Cão: Lendo a Linguagem Corporal da Dor
Sinais Clássicos de Dor Abdominal
Cães expressam desconforto de formas específicas, especialmente quando há sangramento digestivo envolvido. Observe se ele apresenta esses sinais de alerta:
- Arqueia as costas (posição de “oração” com dianteiro baixo e traseiro alto), um sinal clássico de dor no trato digestivo
Fica inquieto, muda de posição frequentemente sem se acomodar, especialmente após episódios de vômito com sangueTreme mesmo em ambiente aquecido, o que pode indicar dor intensa ou início de choqueGeme ou chora ao se mover ou ao toque no abdômen, sugerindo úlcera gástrica ou inflamação severaRecusa-se a deitar de lado, preferindo ficar de pé ou sentado para aliviar a pressão abdominal
Esses comportamentos, quando combinados com sangue no vômito, indicam a necessidade de atendimento veterinário urgente para preservar a saúde canina e o bem-estar do animal.
Mudanças Comportamentais que Alertam
Além da dor física, note alterações no comportamento habitual que podem indicar problemas mais sérios no trato digestivo:
- Apatia: O cão que era brincalhão agora não reage a estímulos, especialmente após episódios de sangramento no vômito
- Agressividade repentina: Um animal dócil que rosna quando se aproximam, um sinal de alerta importante na saúde canina
- Isolamento: Procura cantos escuros e se esconde, comportamento comum em casos de intoxicação canina ou dor intensa
- Lamber excessivo da barriga ou das patas dianteiras, que pode indicar úlcera gástrica ou irritação no sangramento digestivo
Verificação de Sinais Vitais Básicos
Duas verificações simples podem indicar a gravidade do quadro de sangramento no vômito e a necessidade de emergência veterinária:
- Cor das gengivas: Levante o lábio suavemente. Gengivas rosadas indicam boa perfusão sanguínea. Gengivas pálidas ou brancas sugerem perda significativa de sangramento digestivo ou choque, especialmente quando combinadas com vômito com sangue.
- Tempo de preenchimento capilar: Pressione levemente a gengiva com o dedo até ficar branca, depois solte. Deve voltar à cor rosa em 1-2 segundos. Se demorar mais, pode indicar desidratação ou problemas circulatórios agravados por intoxicação canina ou hemorragia interna, exigindo atendimento veterinário imediato para preservar a saúde canina.
Tabela Comparativa: Interpretação Rápida do cachorro vomitando sangue
| Tipo de Sangue | Significado e Urgência |
|---|---|
| Vermelho vivo, fluido | Sangramento ativo e recente na parte superior do trato digestivo (boca, esôfago, estômago superior). Pode ser causado por úlcera que rompeu, objeto cortante ou inflamação severa. Urgência ALTA – buscar veterinário em até 2 horas. |
| Escuro, grumos (borra de café) | Sangue digerido que permaneceu no estômago tempo suficiente para sofrer ação dos sucos gástricos. Indica sangramento mais lento e persistente, possivelmente por úlcera perfurada, tumor ou coagulopatia (como intoxicação por rodenticidas). EMERGÊNCIA – buscar veterinário IMEDIATAMENTE. |
| Misturado com alimento | Sangue incorporado ao conteúdo alimentar durante a digestão. Comum em gastrites hemorrágicas ou irritação gástrica por ingestão inadequada. Urgência MODERADA/ALTA – avaliação veterinária no mesmo dia. |
| Com espuma branca/rosa | Combinação de suco gástrico, muco e sangue. Pode indicar gastrite severa com produção excessiva de muco. Se acompanhado de tosse, pode haver envolvimento respiratório. Urgência ALTA – buscar orientação veterinária rápida. |
Checklist de Bandeira Vermelha: Quando Não Esperar
Procure atendimento veterinário URGENTE se observar:
- Sangue escuro (cor de borra de café) em qualquer quantidade
- Grande volume de sangue, independente da cor
- Vômitos repetidos (mais de 3 episódios em 1 hora)
- Cão prostrado – não reage a chamados ou estímulos
- Gengivas pálidas ou azuladas
- Dificuldade respiratória – respiração ofegante, ruidosa
- Suspeita de ingestão de veneno, produto químico ou objeto pontiagudo
- Queda de temperatura – orelhas e patas frias ao toque

Pode observar por breve período (2-4 horas) se:
- Apenas pequenas estrias de sangue vermelho vivo
- O cão mantém-se ativo, alerta e interessado no ambiente
- O vômito não se repetiu após o episódio inicial
- Não há outros sintomas associados (diarreia, apatia, dor)
Principais Causas: Entendendo o “Porquê”
1. Gastrite Hemorrágica
Inflamação aguda da mucosa estomacal que pode progredir para erosões e sangramento. Comum após:
- Ingestão de alimentos gordurosos ou estragados
- Medicamentos como anti-inflamatórios não esteroidais
- Estresse severo (viagens, mudanças, ansiedade de separação)
2. Corpo Estranho Gastrointestinal
Objetos ingeridos acidentalmente que causam:
- Obstrução parcial ou total do trato digestivo
- Perfuração da parede do esôfago, estômago ou intestino
- Úlceras por pressão quando o objeto fica alojado
3. Intoxicações
Substâncias que causam dano direto ou afetam a coagulação:
- Rodenticidas (veneno de rato) – inibem a vitamina K, essencial para coagulação
- Produtos de limpeza corrosivos
- Plantas tóxicas como comigo-ninguém-pode, espada-de-são-jorge
- Medicamentos humanos como paracetamol, ibuprofeno

4. Doenças Parasitárias Graves
Infestações massivas de:
- Ancilostomídeos – vermes que se fixam na parede intestinal e sugam sangue
- Trichuris vulpis – podem causar colite hemorrágica severa
- Giárdia em infecções crônicas não tratadas
5. Doenças Sistêmicas
Condições que afetam múltiplos órgãos:
- Doença renal crônica – acúmulo de toxinas que irritam a mucosa gástrica
- Insuficiência hepática – alteração na produção de fatores de coagulação
- Pancreatite aguda – inflamação severa que pode levar a sangramentos
- Doenças endócrinas como a doença de Addison
6. Neoplasias- Condições que Afetam a Estrutura dos Tecidos
Mais frequentes em cães idosos, essas situações envolvem alterações na formação e no funcionamento normal das células do trato digestivo, podendo levar a sangramentos quando há comprometimento da integridade da mucosa.
- Alterações na mucosa gástrica que podem evoluir com sangramento
Processos que afetam o sistema linfático no trato gastrointestinalModificações no tecido muscular liso do sistema digestivo
Cuidados Específicos por Faixa Etária
Filhotes (até 1 ano)
- Maior risco de doenças infecciosas como parvovirose, que causa gastroenterite hemorrágica severa
- Curiosidade elevada – maior chance de ingestão acidental de objetos
- Sistema imunológico em desenvolvimento – mais vulnerável a intoxicações
- Verminoses podem ser mais agressivas devido ao menor tamanho corporal
Adultos (1-7 anos)
- Causas alimentares predominam – ingestão de lixo, alimentos gordurosos
- Atividade física aumenta risco de traumas e ingestão de corpos estranhos durante brincadeiras
- Exposição ambiental maior – passeios, parques, contato com outros animais
- Doenças ocupacionais em cães de trabalho (exposição a produtos)
Idosos (acima de 7 anos, varia por raça)
- Doenças degenerativas crônicas tornam-se causas mais prováveis
- Uso prolongado de medicamentos pode levar a úlceras gástricas
- Sistema imunológico menos eficiente – infecções podem ser mais severas
- Neoplasias

FAQ Completo sobre Cachorro Vomitando Sangue
1. “Meu cachorro vomitou sangue uma vez e agora parece bem. Devo me preocupar?”
Sim, sempre. O sangramento pode ter cessado temporariamente, mas a causa subjacente permanece. Um tumor pode sangrar intermitentemente, uma úlcera pode se romper novamente, ou um corpo estranho pode se mover e causar nova lesão. A avaliação veterinária é necessária para identificar o problema antes que se agrave.
2. “Verme faz o cachorro vomitar sangue mesmo?”
Sim, em infestações severas. Certos parasitas, como os ancilostomídeos, possuem estruturas em forma de gancho que se fixam à parede intestinal, causando pequenas lesões que sangram. Quando a infestação é massiva, essas micro-hemorragias podem se tornar significativas e o sangue pode aparecer no vômito se houver refluxo do conteúdo intestinal para o estômago.
3. “Como diferenciar se o sangue vem do pulmão ou do estômago?”
O sangue de origem pulmonar (hemoptise) geralmente:
- É expelido durante a tosse, não com esforço de vômito
- Tem aparência espumosa (misturado com ar)
- É de cor vermelho vivo e brilhante
- Pode ser acompanhado de sons respiratórios anormais
O sangue de origem gástrica (hematêmese):
- Vem com esforço abdominal típico do vômito
- Pode conter alimento ou suco gástrico
- Varia do vermelho vivo ao escuro
- Geralmente tem odor ácido ou metálico
4. “Posso dar algo caseiro para ‘proteger’ o estômago?”
Não, e isso é crucial. Remédios caseiros como leite, azeite, chás ou bicarbonato podem:
- Piorar a irritação gástrica
- Interferir em exames futuros
- Mascarar sintomas, atrasando o diagnóstico
- Causar complicações como pneumonia por aspiração se o cão vomitar novamente
O estômago vazio (jejum) é a melhor “proteção” até a avaliação veterinária.
5. “A doença do carrapato causa vômito com sangue?”
Sim, e é uma causa importante. A erliquiose (doença do carrapato) afeta as plaquetas, células responsáveis pela coagulação sanguínea. Com a plaquetopenia (baixa contagem de plaquetas), o cão pode apresentar sangramentos espontâneos em várias mucosas, incluindo o trato gastrointestinal. O vômito com sangue pode ser um dos sinais, frequentemente acompanhado de manchas roxas na pele, sangramento nasal ou nas fezes.
6. “Meu cachorro é idoso. Vomitar sangue é sempre câncer?”
Não necessariamente. Embora o risco de neoplasias aumente com a idade, cães idosos também são mais suscetíveis a:
- Úlceras por uso crônico de anti-inflamatórios para artrose
- Doenças renais avançadas
- Problemas hepáticos crônicos
- Cardiopatias que afetam a circulação
A investigação veterinária é essencial para diferenciar entre essas possibilidades.
Cuidar É Observar, Observar É Amar
Cada episódio de vômito com sangue, por mais assustador que pareça, é uma oportunidade de fortalecer o vínculo com seu cão através do cuidado atento e responsável. Você não precisa ter todas as respostas — precisa apenas saber quais perguntas fazer e quando buscar quem tem as respostas.
Seu papel como tutor vai muito além de oferecer alimento e carinho. É estar presente nos momentos de vulnerabilidade, transformando a preocupação em ação consciente. É reconhecer que, às vezes, o maior ato de amor é admitir que precisa de ajuda profissional.
A jornada da saúde canina é feita de observações diárias, pequenos ajustes e muita parceria com o veterinário. Cada vez que você observa um detalhe, anota um comportamento diferente ou reconhece um sinal de alerta, está construindo uma rede de proteção ao redor do seu companheiro.
Continue explorando o blog Patinhas & Cuidados para descobrir mais formas de cuidar do bem-estar do seu cão com informação de qualidade e orientação responsável. Porque quando se trata de saúde, conhecimento nunca é demais — é cuidado transformado em ação.

Sou apaixonado por cães desde a infância, quando convivi intensamente com meu primeiro companheiro, o vira-lata caramelo Baixinho. Essa experiência despertou em mim um olhar sensível e atento para o comportamento canino, o vínculo emocional entre cães e tutores e a importância do cuidado consciente no dia a dia. Ao longo dos anos, construí meu conhecimento por meio de estudos na área, cursos técnicos e formação complementar voltada ao comportamento, bem-estar e convivência com cães, sempre priorizando informação responsável e embasada. No Patinhas & Cuidados, transformo vivência prática e aprendizado contínuo em conteúdos claros, empáticos e acessíveis, com o propósito de ajudar tutores a observar melhor seus cães, compreender seus sinais e fortalecer uma relação baseada em respeito, afeto e presença.







